A FICÇÃO BIOPOLÍTICA EM O FILHO DA MÃE, DE BERNARDO CARVALHO

Paulo César Oliveira, Larissa Moreira Fidalgo

Resumo


Para refletir sobre as questões em torno do que chamamos de “ficções biopolíticas”, o romance O filho da mãe, de Bernardo Carvalho (2009), nos guiará neste percurso em que o tema da promessa moderna de um mundo de mobilidade e sem fronteiras se revela, na verdade, cada vez mais como espaço de clausura. Este trabalho se vale do pensamento de Giorgio Agamben (2004) acerca do “estado de exceção” enquanto paradigma dominante na política hodierna para, em seguida, propor analisar a ficção brasileira contemporânea no exemplo do romance de Bernardo Carvalho e no prisma das chamadas “políticas da vida”. Se esse estado de exceção descrito por Agamben pode ser compreendido como o desdobramento dos fenômenos sociais em uma sociedade cosmopolita que enfrenta os riscos residuais dos princípios de progresso da primeira modernidade, tais como medo, insegurança e vulnerabilidade, acreditamos que a teorização sobre as configurações de novas práticas de controle e vigilância dos “corpos perigosos” estimula possibilidades de leitura crítica ainda pouco exploradas no âmbito da teoria literária e das obras ficcionais mais recentes, como as de Bernardo Carvalho, especialmente, em O filho da mãe.

Palavras-chave


Ficção brasileira contemporânea, biopolítica, Bernardo Carvalho.

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