O poder da voz em Medeia

Tércia Montenegro Lemos

Resumo


Este artigo se debruça sobre a peça teatral Medeia, de Eurípides, vista em diálogo com algumas de suas retextualizações forjadas ao longo dos tempos, incluindo-se em nosso corpus de análise a obra Medée, do dramaturgo francês Jean Anouilh, e Gota d’água, peça brasileira criada por Chico Buarque e Paulo Pontes. Partindo do trabalho de Romilly (1975), buscamos demonstrar como tragédia e retórica são interdependentes na composição das citadas obras, sobretudo pela carga dramática das falas das personagens. Para tanto, estabelecemos um diálogo entre a retórica antiga e o moderno conceito de etos, tal como a Análise do Discurso de linha francesa o entende. A categoria do etos contribui de modo importante para estabelecer fronteiras entre as variantes literárias do mito e possibilita reflexões sobre os procedimentos de intertextualidade adotados. Após as análises, observamos como o investimento da enunciação se expõe através do poder da voz nas versões de Medeia, criando um poderoso efeito psicológico para compor o perfil da protagonista.


Palavras-chave


Tragédia; Retórica; Análise do Discurso

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