Sujeito, identidade e discurso em Lavoura arcaica, de Raduan Nassar

Paulo César Oliveira

Resumo


O presente trabalho visa a estabelecer uma leitura da obra Lavoura arcaica, de Raduan Nassar, sob o crivo das relações entre discurso filosófico, nação e identidade. O artigo investiga de que forma questões radicais em torno do conceito de sujeito e identidade são articuladas por um projeto literário radical que, a partir do diálogo crítico com os ideais românticas, reposiciona a  questão da emergência de novas vozes ficcionais e das problemáticas religiosas e filosóficas, as quais demandam um reposicionamento crítico e da crítica acerca do campo literário nacional. A ficção brasileira contemporânea requer da crítica uma sistematização discursiva que analise a obra como criação da linguagem, mas que, ao mesmo tempo, problematize as relações entre o real representado e o mundo circundante. Desse modo, conforme as discussões encaminhadas por Dominique Maingueneau, se as obras dialogam com o mundo e sua enunciação é parte desse mundo que representam, elas criam o contexto ao mesmo tempo em que o gerenciam. Nessa nova acepção do contexto, a ideia de nação, sujeito, migração, religiosidade, discurso e narração passam a formar um todo orgânico, entretanto jamais estável, o que demanda uma reconfiguração crítica do caráter fronteiriço do campo literário. Essas indagações moldam o arcabouço conceitual e reflexivo desse artigo.


Palavras-chave


Ficção brasileira contemporânea; identidade; crítica

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