Os jogos de preservação da face no discurso religioso

Arlene da Fonseca Figueira

Resumo


Este estudo tem como propósito analisar os atos de fala manipulativos no domínio discursivo religioso, à luz dos princípios sócio-interacionistas, principalmente os relacionados  à noção de linguagem como ação e como atividade social e, ainda, a noção de face como imagem pública Goffman(1970). Na perspectiva sócio-interacionsita, a linguagem é uma ação conjunta que emerge quando os interlocutores, além de desempenharem seus papeis individuais, trabalham juntos em unidades sociais. Reconhecer a linguagem como uma forma de ação é reconhecer que a usamos para agirmos no mundo, para, por exemplo, orar, negociar, persuadir, informar, representar. Partindo desse pressuposto, é possível reconhecer que a manifestação lingüística que emerge do domínio discursivo religioso traz as marcas dos papeis e dos lugares sociais desempenhados por cada um de seus participantes. O discurso religioso desempenha uma função injuntiva, aquela chamada de conativa ou imperativa, que incita o ouvinte a agir de uma determinada maneira. Pela sua própria essência, está impregnado dessa função, porque a voz que emerge desse discurso é autorizada, isto é, o dirigente religioso é reconhecido, no contrato estabelecido entre ele, Igreja, fiel,  como aquele que tem o direito unilateral e não-reversível ao turno. Portanto, nos interessa investigar como esse falante codifica os atos de fala manipulativos no jogo da persuasão e quais os tipos de construções usadas para elicitar ações por parte dos fiéis.

 


Palavras-chave


discurso religioso linguagem; ação.atos manipulativos

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