Com quantos domínios se faz um bom enunciador? Reenunciação proverbial e metáfora conceptual na argumentação

Patricia Ferreira Neves Ribeiro, Leonardo Nazar

Resumo


No domínio jornalístico, observamos a grande circulação de enunciados proverbiais. Trata-se, inclusive, de fenômeno produtivo em artigos de opinião típicos do jornalismo dirigido à elite intelectualizada. Nesse caso, entretanto, esses enunciados sofrem, frequentemente, um desvio, a que Grésillon e Maingueneau (1984) designaram por détournement. Nesta pesquisa, nosso interesse recai, justamente, sobre provérbios passíveis de recriação. Além disso, interessa-nos ver como uma metáfora conceptual subjacente à superfície linguística desses provérbios (LAKOFF, TURNER, 1989) pode contribuir para o sucesso argumentativo do referido “desvio”. No corpus deste trabalho, pretendemos compreender a relação semântica entre os domínios de conhecimento projetados nessas metáforas e os refletidos nos novos termos impelidos aos provérbios. Sob a ótica da Teoria da Metáfora Conceptual (LAKOFF, JOHNSON, [1980]/2003), escolhemos, para a composição do corpus, as recriações que, de alguma forma, colocassem essa projeção em evidência. Servimo-nos também das reflexões de Dominique Maingueneau (2008), vislumbrando analisar como, através da recriação proverbial, os enunciadores organizam suas argumentações. Na amostragem das recriações proverbiais, investigamos o real engajamento dos enunciadores em suas atividades de produção e de interpretação, valendo-se ora de processos de “literalização” das metáforas subjacentes, ora de procedimentos de extensões ou elaborações efetuadas a partir de componentes da história-fonte.


Palavras-chave


Détournement; Metáfora conceptual; Argumentação.

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