A ÁRVORE DO ESQUECIMENTO E AS TENTATIVAS DE DESTRUIÇÃO DA MEMÓRIA AFRODIASPÓRICA

Rodrigo Birck Moreira, Emerson Pereti

Resumo


O presente artigo aborda os processos de apagamento da memória dos povos africanos escravizados em território brasileiro. Este recorte surge a partir da pesquisa intitulada ‘Culto aos Orixás na América Latina - Cinema documental e trânsitos da memória’, na qual duas obras cinematográficas são tratadas comparativamente. Atlântico Negro (1998) e Pedra da Memória (2011) tratam da questão afrodiaspórica sob prismas semelhantes, buscando estabelecer elos entre os cultos e expressões de matriz afro-brasileira e os rituais praticados no Benin e em outras partes da costa oeste africana. No intuito de liquidar tais elos emerge uma força: a “Árvore do Esquecimento”, monumento erigido na costa do Benin, no local onde se situava a árvore, ao redor da qual os escravizados eram forçados a dar voltas antes de embarcar nos navios negreiros, para que assim apagassem suas memórias de seu povo e de suas divindades e com isso infringissem menos dor e castigo divino aos que ficavam. Aqui, a árvore do esquecimento é entendida também como símbolo das forças que historicamente tem se empenhado em “branquear” ou apagar definitivamente as culturas de matriz africana em solo brasileiro.

Palavras-chave


memória; esquecimento; resistência

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